Ela deita em sua cama a noite
Mas não consegue dormir,
A Dor de uma culpa atroz
Mantém suas pálpebras rígidas
Sua mente encontra-se no ápice
Sua consciência lhe acusa impiedosamente
O caos do passado atormenta sua calma,
O arrependimento fere sua alma
Ela rejeitou um amor que lhe fora por tanto tempo fiel
Ela negou corresponder àquele sentimento tão intenso fecundado num olhar...
Ela deu as costas para quem olhando em seus olhos jurara amor eterno
Ela disse: ‘Deixe-me só’, para quem queria amá-la sem pausa!
Agora, na noite fria e hostil
Ela sente ardente falta daquele toque,
Daqueles momentos abrasadores...
Ela almeja sentir novamente o calor dos lábios macios sobre sua pele sensível.
O cheiro sublime e singular impregnado em sua roupa
A sensação gélida do hálito amentolado e refrescante chegando docilmente à suas narinas...
Mas as lembranças apenas alimentam seu desejo de morte.
Um brilho cruel e infernal toma seus olhos lacrimejantes,
Uma lágrima grossa e cristalina rola impassível pela face,
Os lábios vermelhos entreabertos tremulam ao som de um vento solitário
Sua mão desliza conscientemente pelos lençóis
Agarrando sem receio uma lâmina fria e convidativa.
Ela observa seu próprio reflexo na faca reluzente
Um sorriso amargo parece fluir em seu rosto,
O gosto do desgosto é profundamente mortal
Ela não quer apenas morrer,
Ela quer um castigo após a morte
Ela quer pagar com todo o sofrimento seu erro fatal
Ela sabe que não pode voltar, e que não adianta se arrepender...
Só resta para ela agora, conformar-se com a angústia eterna.
Ela não gritou, não chorou
Não proferiu se quer uma palavra (não havia o que dizer)
Ela apenas deixou a lâmina rasgar lentamente seu peito
Ela jamais poderia descrever aquela sensação suicida,
O sangue brotando incontrolável, manchando sua pele e os lençóis alvos...
Mas ela estava feliz.
Os lábios se moldaram num sorriso de breve contentamento
Enquanto seus dedos inertes deixavam cair uma fotografia borrifada de sangue sobre um chão negro, num quarto solitário, numa cidade qualquer.
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