terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Viver é ter fome

'Você é um saciado na existência? Um homem ou mulher, um jovem de apetites satisfeitos, que já provou e se cansou, talvez, de todos os sabores e agora passa a vida ruminando os mesmos velhos alimentos mil vezes mastigados?
  Será você desses que dizem que estão 'cheios' como um tanque repleto onde nada mais cabe, onde as águas se estagnam e os vermes proliferam?
Se assim for, meu amigo, é lamentável, porque você perdeu a graça de viver.
  Viver, para você, não pode ter sentido e muito menos alegria.
Chego mesmo a dizer que já está meio morto, pois a vida consiste em se sentir sempre com fome, sempre incompleto, buscando anciosamente algum novo alimento que nos faça crescer com toda a majestade vertical de uma palmeira imperial.
  Imite as grandes árvores da terra que vão cravando as pontas das raízes, com fome subterrânea e decisão que racha muros e até pedras, sempre buscando a seiva nutritiva que se transforma em flores e que se torna frutos para a festa feliz dos homens e das aves.
  Será que sua juventude é um arbusto de raízes saciadas que decidiu parar nas folhas e desistiu das flores e dos frutos?
  Existir é ter sede e viver é ter fome, fome profunda que nos vem de dentro: das raízes do nosso próprio ser. Fome de amar e de fazer-se amado.
  Existir é sugar, com sede cósmica, maior e mais ardente do que a de mil camelos num deserto, a seiva da bondade. Depois... sentir em nós a inenarrável alegria de perceber que estamos nos cobrindo de botões e de flor, de frutinhas redondas...
Depois, ao grande sol da fé, do amor de Deus, sentir que nossos frutos vão amadurecendo e nossos galhos se vergando para ir ao encontro da fome de outras vidas.
   Talvez você não saiba, mas é verdade bem botânica e provada que, lá no fundo escuro dos terrenos, uma raíz tem o seu modo de sorrir cada vez que, lá em cima, alguém colhe um de seus frutos que ela própria nutriu e fez crescer...
   Assim também, no fundo de seu peito, você terá profundas alegrias de raíz, todas as vezes que alguém colher em sua vida um fruto de bondade ou, pelo menos, a pequenina flor de um sorriso.'

[Autor desconhecido]

(Encontrei esse texto entre meus livros)   [..]

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